quarta-feira, 26 de maio de 2010

Maturidade evidente!

Já diziam algumas pessoas, que, por conta da tal da memória coletiva, não lembro quem, que o tempo te dá maturidade pra ver as coisas de forma diferente. Infelizmente, isso demora mais a acontecer em determinadas situações. E, quando acontece, acaba apontando pro lado contrário que deveria, de fato, apontar. Aí a gente ri... porque, afinal, não temos outra coisa a fazer... pô... legal... massa... =)
Um dia você acorda e lá está a tal maturidade... "não vejo mais o mundo como via ontem!" e é tão lindo... ¬¬' é tão maravilhoso observar quão ingênuas as outras pessoas podem ser... ¬¬' é tão espetacular saber que essa fase já foi superada... ¬¬'
No no no!!!
tomorrow is gonna be a better day!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Texto de Orlando Lemos - Observatório da Imprensa

I LOVE YOU
Senha da destruição

Orlando Lemos (*)

Nas tantas definições de amor, entre poetas e sábios, é bem possível que algum deles já tenha concluído que o amor é um vírus. Alguns amores, é bem verdade, destroem, outros se autodestroem, viram manchete em letras garrafais e pouco depois todos se esquecem.

Mas de qualquer forma, o eu te amo ainda é a única senha capaz de fazer com que a solidão atávica que cada um de nós herda fique um pouco minorada pelo menos. É a senha para a comunhão – sem esse papo de alma gêmea -, para a interação entre duas pessoas totalmente estranhas – antes mesmo do fox quase bolero que o Sinatra imortalizou.

Agora vem alguém e coloca o eu te amo como a senha da destruição, do caos, do medo. Acabo de ler numa coluna de jornal que a moça chegou em casa depois de um dia bem pra baixo, abriu o correio eletrônico e, mesmo sabendo da onda na rede, não resistiu ao segundo de ilusão de que alguém a amava e abriu a mensagem. Pau na máquina, é claro.

Mas a máquina está imitando o homem. O vírus da Aids modificou tudo. A estranha/o estranho da tal música do Sinatra passaram a ser, em princípio, um inimigo. Todos desconfiam ou confiam com cabeça de kamikaze, vale tudo, que o mundo acabe amanhã.

Precisamos do Ibama

O amor – em todas as suas formas – é o eixo em torno do qual tudo gira. Acabar com a senha do amor, mesmo que seja num etéreo correio eletrônico, é perder um pedaço da gente. Nossos ícones estão acabando. Será isso o fim do mundo?

Há meses, lembro agora, meu filho recebeu um e-mail da namorada com um vigoroso, sincero e apaixonado eu te amo!!! Já pensou se fosse agora? A passividade com que vamos perdendo as coisas ou, pior, trocando as cosias, é espantosa. O mercado faz isso. Mas quem faz o mercado? Outra resposta comum: o programa (de computador) não aceita. Mas quem programa o programa?

As pessoas também estão querendo imitar a máquina – antropomorfismo às avessas, nem sei o nome a dar. Basta ligar para qualquer call center e a atendente vai se comportar como máquina. Perguntando frases que aparecem na tela e dando respostas soltas e repetitivas.

É preciso resgatar o ser humano. Ser humano, gente, pessoa não tem resposta sempre pronta na ponta da língua. Ser humano erra – e assume! –, ser humano cumprimenta e se despede das outras pessoas.

Não vale a pena resgatar esta espécie em extinção? Ibama pra gente também.

(*) Jornalista e tradutor