Depois do "agradeço a você, por ter sido parte importante do processo", um textinho bonitinho:
"A mim pouco importava. Tendo
descoberto o mundo da palavra escrita, eu estava feliz, muito feliz [...] Bastava-me o ato
de escrever. Colocar no pergaminho letra após letra, palavra após palavra, era
algo que me deliciava. Não era só um texto que eu estava produzindo; era
beleza, a beleza que resulta da ordem, da harmonia. Eu descobria que uma letra
atrai outra, que uma palavra atrai outra, essa afinidade organizando não apenas
o texto, como a vida, o universo. O que eu via, no pergaminho, quando terminava
o trabalho, era um mapa, como os mapas celestes que indicavam a posição das
estrelas e planetas, posição essa que não resulta do acaso, mas da composição
de misteriosas forças, as mesmas que, em escala menor, guiavam minha mão quando
ela deixava seus sinais sobre o pergaminho. Tratava-se de poder, de um poder
que eu aos poucos ia assumindo. Uma experiência embriagadora que não podia
partilhar com ninguém [...] eu era, contudo, capaz de criar beleza. Não a falsa
beleza que os espelhos enganosamente refletem, mas a verdadeira e duradoura
beleza dos textos que eu escrevia, dia após dia, semana após semana - como se
estivesse num estado de permanente e deliciosa embriaguez."
M.S.
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