Uns par de dia de greve. Uns par de aluno sem aula. Uns par de professores reivindicando seus direitos. Uns par de opiniões, necessárias, mas mal constituídas. Tenho acompanhado, desde o meio da semana, mais ou menos, a busca por uma forma de escrever uma matéria que não "ofenda" os professores (classe na qual eu e Mariana nos inserimos também), mas que possa informar quem quer que possa estar interessado no assunto. Acompanhei o surgimento das ideias e a busca pela imparcialidade, pela apresentação dos dados e pela justificativa de cada um deles, inclusive tendo que esperar do lado de fora, até que a matéria estivesse pronta. E eis que ontem saiu a coisa toda. Lógico que todo mundo ficou revoltadinho e logo disse que tinha gente patrocinando a "difamação", o "ataque" contra os professores. Agora, depois de ouvir o celular bipar durante parte da noite, com mensagens de gente dizendo que aquilo estava errado, e de ler os comentários, tanto no facebook quanto na própria página da matéria, me pergunto: quem, desses excelentíssimos "comentaristas" efetivamente leu o que tava escrito lá? Quem se deu ao trabalho de decodificar esses aproximadamente 4000 caracteres que não saíram do nada? Fico me perguntando se o problema que os professores estão tentando resolver com a questão salarial também não está relacionada à educação que eles dão aos seus queridíssimos pupilos, que, a partir do interesse de alguns deles, também resolveram se rebelar. Há uma formação doente, que precisa ser revista não somente em relação a incentivos de ordem salarial, estrutural ou mesmo de condições de trabalho. Há uma deficiência que vai muito além de tudo o que está sendo discutido incessantemente na busca por um culpado. Fomos treinados a discordar, a cobrar o certo do Governo e a exigir o melhor possível das gestões que estão postas? Certamente a resposta é não. Eu sou uma das que se encaixam no "não me interesso por política". Ferir direitos de quem os tem é, com certeza, a maior forma de desrespeitar o outro. Ter um posicionamento é sempre bom, mas que isso seja baseado em fatos palpáveis, aceitáveis. Que sejamos mais capazes de olhar pra dentro e entender o que efetivamente está acontecendo, o que realmente estão dizendo e fazendo, para então levantarmos nossa bandeira e dizer: TÁ ERRADO ÇA PORRA! Enquanto isso, eu só me pergunto, a partir de alguns poucos comentários que tive o desprazer de ler: em algum lugar tava escrito que professor ganha bem? tava escrito que professor ganha mal? e que professor deve escolher outra profissão se não está satisfeito com o seu salário? tava escrito que devemos comparar o salário do professor com o dos políticos? que é certo professar ganhar menos? ou o político ganhar mais? e que um professor deve ganhar mais [ou menos] do que um médico, advogado, engenheiro, cozinheiro, empacotador ou algo assim? tava dizendo em algum lugar que o professor não deve ganhar adicionais por tempo de serviço? ou que não deve ganhar? em alguma parte do texto tinha algo que se distanciava da informação e se aproximava da opinião? Eu tenho opinião e acredito que todo mundo deva ter a sua, por vezes até escondidinha lá num lugarzinho à parte. Mas o que me importa nesse caso é o total desrespeito com a notícia. Quem me conhece um pouquinho sabe que eu tenho um problema grande com jornais, jornalistas e meios de comunicação em geral. Mesmo assim, me casei com uma jornalista/PROFESSORA. Isso não significa que eu a esteja defendendo pura e simplesmente por conta da ligação pessoal, mas principalmente por entender que comentários maldosos e mal fundamentados não acontecem somente porque as pessoas querem mostrar que detêm a razão, mas porque não conseguem refletir o mínimo quanto ao que estão escrevendo. Minha opinião quanto ao texto é de que ele é meramente informativo, não demonstrando favoritismo nem por um e nem por outro lado. Devo, no entanto, parabenizar e agradecer aos revoltadinhos de plantão que fizeram com que a matéria chegasse, nesse exato momento, ao 3º lugar entre as mais lidas. Se leram na íntegra já é outra história. Segue outra oportunidade para que isso aconteça, então:
http://cgn.uol.com.br/noticia/136919/afinal-quanto-ganha-um-professor
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