Ponto. É assim que as coisas começam, sempre.
Há um ponto e, a partir dele, milhares de coisas se encadeiam, se entrelaçam e, por vezes, levam a conclusões que na verdade não se quer ter. Racionalmente, posso olhar para uma situação que me desconforte e dizer: eu me importo, eu posso e vou fazer algo para que isso se modifique. Toda essa racionalidade se esvai, na maior parte dos casos, em questão de segundos. Se importar e agir efetivamente para que algo errado passe a ser certo inclui muitos pontos a serem considerados. Há pouco, em uma das típicas reflexões babacas que faço ao longo de todos os dias, me perguntava se, de fato, eu precisava de um preparado de tempero que não leva pimenta. A questão toda é a seguinte: tenho um amigo, que raramente come aqui, mas que de longe não pode ouvir falar em pimenta. A existência de dois potinhos de tempero, separando todo o resto da pimenta, demonstra uma tentativa que nem é tão necessária assim, já que eu nem lembro qual foi a última vez em que esse amigo comeu aqui. Fato é que em algum momento da vida eu me importei e isso me marcou de alguma forma, tanto que, todas as vezes em que vou ao supermercado, lembro logo de pegar o tempero sem pimenta. É idiota, é banal, mas é uma ilustração reduzida que pode se aplicar a milhões de situações. Se eu sei que vou causar desconforto em alguém tocando em determinado assunto, obviamente não vou falar de tal. O que me decepciona, no entanto, é perceber que essa não é uma regra aplicável à maior parte do mundo. Importar-se não é característica intrínseca do ser humano. E digo isso não por achar um saco quando alguém para o carro na minha frente, no meio da rua, sem nenhuma explicação plausível; não por me sentir um nada quando não recebo o mínimo de atenção; não por ver tantos "gritos ao vazio" e tão poucas atitudes efetivas; digo isso por achar que esse é o grande mal da humanidade, o problema principal e gerador de tantos outros atritos. Não se importar reflete a incapacidade de olhar além do próprio umbigo, de tentar ouvir, entender e talvez até ajudar na necessidade do outro. Sinto-me só. E triste [editado].
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